Mês de Maio, mês de trovoadas.
O céu azul é rapidamente oculto por nuvens escuras e grossas que se avolumam. Inquieta olho pelas janelas dum lado e do outro da casa. O mesmo prenúncio de trovoada. O ar aquietou-se e aguarda expectante o ribombar dos trovões. Ao longe, ouvem-se os primeiros sinais de revolta. Sons roucos e abafados, ainda distantes.
A luz da tarde parece engolida por uma noite antecipada. Torna-se cinzento o final do dia.
Quando a trovoada se torna ameaçadora, gosto de saber que chove. Mas a chuva tarda. Apenas se acentuam os vários tons de cinza e negro de um céu que parece desabar sobre a terra.
Em voos baixos, as andorinhas mostram-se nervosas, desenhando círculos imaginários em torno dos beirais. Elevam-se além dos telhados e regressam em voos quase rasantes ao chão. Chamam umas pelas outras num canto que não distingo, mas pressinto receoso. Tal como eu.
Ontem, bátegas pesadas de água acompanharam a trovoada. A noite foi rasgada, horas a fio, pelo brilho metálico e intenso dos relâmpagos. Hoje, porque ainda dura a luz do dia, embora ténue, não vejo os raios. Em breve, a sua luz ofuscará qualquer outra que se acenda na cidade.
Este Maio irado contrasta com a doçura das rosas nos jardins. A força da Natureza, incontida, indomável relembra a fragilidade do ser humano, a sua impotência numa luta de titãs e sua pequenez na imensidão do universo.
Entretanto a tempestade aproxima-se mais. Suspendo todas as tarefas. Receosa vou olhando pela janela. Até que a trovoada passe, este será o meu ponto de vigia.
Chove, finalmente...
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